Foto: Divulgação

 

O Arquipélago do Marajó está em luto oficial. A recente perda de Dom José Luis Azcona, bispo emérito do Marajó, e da Irmã Marie Henriqueta Cavalcante, ambos vítimas de circunstâncias que comoveram o estado do Pará, deixa um vácuo imensurável na rede de proteção social da Amazônia.

Dom José Luis Azcona, que faleceu após uma brava luta contra o câncer, foi por décadas o rosto da resistência marajoara. Suas denúncias sobre o tráfico humano e a exploração sexual de menores romperam as fronteiras da ilha e chegaram ao cenário internacional, culminando na criação da CPI da Pedofilia.

Azcona não era apenas um líder espiritual; era um escudo para os vulneráveis. Mesmo sob constantes ameaças de morte, ele nunca recuou, denunciando o descaso do poder público e a conivência de grupos poderosos com o crime organizado na região.

Somando-se à dor da perda de Azcona, a notícia do falecimento prematuro da Irmã Marie Henriqueta Cavalcante em um trágico acidente chocou a comunidade. Coordenadora da Rede um Grito pela Vida e conselheira ativa em defesa dos direitos humanos, Henriqueta era o braço direito de Azcona nas frentes de batalha contra o abuso infantil.

Sua atuação era marcada pela presença direta nas comunidades ribeirinhas, onde organizava redes de vigilância e acolhimento para vítimas de violência. Sua morte representa a perda de uma das maiores articuladoras sociais do estado.

A partida desses dois ícones ocorre em um momento crítico, onde o Marajó ainda enfrenta desafios estruturais severos. Analistas e movimentos sociais alertam que a morte dos religiosos não pode significar o enfraquecimento das denúncias.

As homenagens se multiplicam por toda a ilha, com vigílias e celebrações que reforçam um único grito: o Marajó exige justiça e dignidade para seus filhos, honrando a memória daqueles que deram a vida por essa causa.

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